7 de nov de 2015

Agora é tarde...

Agora, toda a imprensa, a opinião pública, os eleitores e o governo lamentam a tragédia socioambiental em MG...
...mas já e´tarde demais...

24 de set de 2015

Um novo ataque a uma agência bancária

Um novo ataque a uma agência bancária do Bradesco, em 19/09/2015, ocorreu dessa vez em Porto Alegre.


Em um comunicado enviado à mídia anarquista em 22/09/2015, aqueles que reivindicaram a autoria desse ataque diz assim:

"Prendemos fogo na sala de caixas eletrônicos do banco Bradesco, no bairro Rio Branco, em Porto Alegre, durante a chuva da noite de sábado 19 de agosto."

"Seguimos esta proposta ação-comunicado, porque não queremos ficar só nas palavras."

"Somos domesticados com mentiras, com a doença de ver em todo o meio natural cifrões. O capitalismo democrático nos educa na escola, com as leis e a tiros, de que “o dinheiro é o mais importante”. Para este modo de “vida”, a terra, a água, as vidas, tudo são mercadorias, nós, nosso tempo, nossa vida."

19 de set de 2015

Manifesto do MOVIMENTO INSURGENTE ANARQUISTA - MIA

O Manifesto do MIA foi enviado à mídia anarquista entre 13/09 e 15/09 de 2015. Leiam alguns trechos do Manifesto:

"Na noite do dia 13 de Setembro, incendiamos novamente uma agência bancária. Desta vez, Itaú. Banco que apenas no segundo trimestre de 2015 obteve um lucro pornográfico de R$ 5,9 bilhões."


"Aos que se inspirarem em nossas ações, conclamamos que se organizem regionalmente e iniciem suas ações. Duas pessoas e alguns litros de gasolina podem impor à ordem social um caos que mil ou cem mil pessoas pacíficas e obedientes jamais o fariam."

"Organizem-se em células autônomas do MIA ou qualquer outra insurgência revolucionária. Façam do fogo e da pólvora o vosso grito de guerra."

Leiam o texto do Manifesto na íntegra em:

17 de set de 2015

Ataques do MOVIMENTO INSURGENTE ANARQUISTA em SP


O grupo que se chama de MOVIMENTO INSURGENTE ANARQUISTA - MIA reivindicou os recentes ataques a agências bancárias do Bradesco e do Itaú em São José dos Campos (SP).

Uma bomba incendiária colocada anteriormente numa agência do Bradesco falhou, mas na noite de 13 de setembro outro ataque com bomba incendiária, dessa vez numa agência do Bradesco, teve sucesso...


Vejam o panfleto que foi espalhado nos locais atacados:




2 de ago de 2015

Empoderarte-me: “ensaio sensual de gordas”!

A fotógrafa Mariana Godoy criou o projeto Empoderarte-me, unindo a fotografia, o poder feminino e a sensualidade na (re)descoberta, exposição e exibição do montão de beleza que tem nas mulheres gordas!!





26 de jul de 2015

Entrevista com John Zerzan & Uma resposta à Tecnopolítica (Janos Biro)

Lá do Protopia Wiki, um contraponto de Janos Biro a John Zerzan:

1) Entrevista com John Zerzan
"Para Zerzan a queda dos céus da humanidade não teve início com o industrialismo e nem mesmo com a agricultura, mas sim com a aceitação da cultura simbólica, da linguagem, da arte, e o número. A cultura, ao invés de ser vista como nossa maior emancipadora, é uma mediação a qual nos distância de uma aceitação sensual da realidade, de até aonde chega nossa capacidade de compreendermos a nós mesmos dentro do momento. A linguagem é comunicação tornando-se presa ao assunto, arte é um preenchimento de uma realidade infinitamente mais rica, número é a prática de uma semelhança ilusória que consome nosso mundo de interesse."
&...
"Após ler o texto Tecnopolítica: um contraponto ao primitivismo, que me foi entregue gentilmente pelo coletivo Saravá durante a palestra de John Zerzan em São Paulo, escrevi os seguintes comentários: (...)"

4 de jul de 2015

Contra o eco-capitalismo - texto de Janos Biro

- O objetivo desse livro é fazer uma crítica à tendência capitalista de assimilar o discurso ecológico e torná-lo parte de uma nova forma de capital, expandindo assim os mecanismos de controle da sociedade capitalista. Esta crítica não é de vertente marxista, mas se baseia na crítica à civilização, que é um tipo de crítica anarquista radical com a qual tenho trabalhado desde 2002.


Goiânia, junho de 2015

janosbiroleite@gmail.com

15 de mai de 2015

Vamos queimar tudo: um guia para o Neoludismo.

Apesar do que lemos todos os dias no Twitter ou de como usamos o termo em conversas casuais, o ludismo não era apenas uma rejeição passiva da tecnologia ou um movimento que se recusava a aceitar ao mundo moderno. Mesmo resistindo aos seus encantos, os luditas históricos buscavam compreender a tecnologia.
O ludismo é nebuloso por definição: ele só existiu como uma forma de resistência, nomeado em homenagem ao seu líder fictício Ned Ludd, símbolo da oposição às máquinas que ameaçavam o ganha-pão dos trabalhadores durante a revolução industrial. Os luditas originais, pobres coitados e tecnofóbicos primitivos, têm um certo apelo. Mas hoje, a causa se transmutou em um nicho diverso e fragmentado que não resiste apenas à tecnologia, mas também à vigilância estatal, às hierarquias capitalistas e à própria modernidade.
Definir o “Neoludismo” é um transtorno ainda maior. O termo — e ideologia — se sobrepõe e se confunde com diferentes causas e “ismos”: antimaterialismo, minimalismo, anarquismo, eco-terrorismo, anarcoprimitivismo e o futurismo distópico.
Este é um guia simplificado das muitas facetas do Neoludismo.
A turma do “espera aí, vamos pensar um pouco nisso”
Essa é uma filosofia razoável: a ideia é se conscientizar e se informar sobre as novas tecnologias antes de abraçá-las. Parar um pouco e se perguntar qual será o impacto delas na sociedade.
Não é de espantar que essa vertente neoludita tenha surgido no começo dos anos 90. Em 1990, o autor e ativista Chellis Glendinning publicou um texto intitulado “Notas rumo a um Manifesto Neoludita” na revistaUtne Reader, reapropriando o termo “ludita” para a era moderna e enumerando os princípios do movimento.
Os neoluditas não são “antitecnologia”, afirma o autor, mas sim contra qualquer tecnologia materialista ou nociva para a comunidade.
A lista de princípios está permeada com a ideia de que “toda tecnologia tem um viés político”, e deve, portanto, ser questionada. Um dos principais objetivos é “derrubar” as tecnologias nucleares, a televisão e os computadores (“que causam doenças e mortes tanto durante sua produção quanto no uso, aumentam a centralização do poder político e distanciam as pessoas das experiências reais”). Eu presumo que eles desistiram dessa ideia.
A turma do “os robôs estão roubando nossos empregos”
Apesar de certas vertentes do movimento serem contrários ao transhumanismo, a oposição neoludita à tecnologia pode ter uma raiz mais econômica do que espiritual. Um certo receio ronda qualquer tecnologia que possa vir a substituir profissionais humanos — um tema que inspira livrosfilmesTED talks e eternas discussões na mídia.
No último relatório sobre automatização do Centro de Pesquisa Pew, publicado no ano passado, os autores não chegaram a nenhuma conclusão sobre a ascensão de “tiranos robóticos”; em contrapartida, um relatório sobre tecnologias “disruptivas” publicado pela McKinsey no ano anterior explorou “a automatização do conhecimento.”
O relatório levanta questões sobre a disparidade entre produtividade e remuneração, sobre o conceito Keynesiano de “desemprego tecnológico” e sobre a Falácia Ludita— a ideia de que os robôs irão permitir que os humanos se foquem em tarefas mais sofisticadas — e a sua discutível presença na mentalidade atual.
Esse assunto já foi abordado por vários teóricos. Os livros de Jaron Lanier, Who Owns the Future e You Are Not a Gadget, encorajam seus leitores a defender a imaginação humana do maoísmo digital. Primeiro, a tecnologia apaga os limites entre trabalho e tempo livre (quando usamos plataformas sociais como o Instagram e o Facebook, estamos basicamente trabalhando para eles), depois ela domina nosso trabalho, nos transformando em consumidores passivos dependentes de processos automatizados.
De forma semelhante, The Glass Cage, de Nicola Carr, defende que a automatização emburrece o conhecimento: quanto mais automatizados os trabalhos se tornam, mais distantes da realidade ficam os trabalhadores (por exemplo, os pilotos que supervisionam a decolagem e pouso automatizado de aviões, supervisores de fábricas etc).
Carr cita o historiador George Dyson: “E se estivermos pagando por essas máquinas pensantes com pessoas que não pensam mais?”
A turma do “queima tudo”
Diferente da atual fachada intelectual do movimento, os luditas originais são lembrados pela violência de suas ações. Destruir teares pode não ter resolvido muita coisa, mas serviu como um poderoso ato de resistência. Essa parte do legado ludita continua viva em um pequeno nicho de eco-ativistas e grupos anarquistas.
A linha entre os termos “eco-ativista” e “eco-terrorista” é tênue: ambos são usados para descrever grupos como o coletivo ecológico radical italiano Il Silvestre, criado em 1998. Alguns anos atrás a polícia interceptou um carro cheio de explosivos que seguia em direção ao centro de nanotecnologia da IBM, avaliado em US$55 milhões. Em 2012 o coletivo anarquista escreveu uma carta aberta de quatro páginas assumindo a autoria do ataque a Roberto Adinolfi, um executivo do ramo de engenharia nuclear.
No começo dos anos 2000, a entrada do México no ramo da nanotecnologia inspirou a criação de vários coletivos eco-terroristas, incluindo o Individuals Tending Toward the Savage (ITS) e o Obsidian Point Circle of Attack.
A nanotecnologia é uma vertente científica controversa; segundo seus críticos, ela oferece riscos ambientais e biológicos, incluindo um possível cenário “apocalíptico” onde nanopartículas criarão robôs que por sua vez irão se rebelar e dominar o mundo (é sério, as pessoas estão preocupadas com isso).
Em abril e maio de 2011, coletivos anarcoprimitivistas, conhecidos localmente como primativistas, assumiram a autoria do ataque a Carlos Alberto Camacho Olguin, chefe de pesquisa em nanotecnologia na Universidade Politécnica do México. O Instituto Monterey de Tecnologia também se tornou um grande alvo. Seu presidente, Armando Herrera Corral, foi atacado com um bomba caseira em 2011; a bomba não explodiu completamente, mas um membro do instituto foi internado com fragmentos de metal no pulmão.
Em um comunicado de 5.500 palavras, o ITS assumiu a autoria do atentado — e ainda por cima citando o manifesto do Unabomber, vulgo Ted Kaczynski:
“A crescente aceleração da Tecnologia irá desencadear na criação de nanociborgues que poderão se auto-replicar automaticamente… A conclusão do avanço tecnológico será patética, a terra e tudo que existe nela se tornará uma grande massa cinza, onde as nanomáquinas reinarão.”
O grupo Obsidian Point Circle of Attack publicou um manifesto parecido no ano passado, assumindo a responsabilidade por uma bomba caseira enviada para o Dr. José Narro Robles:
“Nós nos opomos ao progresso do sistema tecno-industrial, seus valores culturais e a sua sociedade escravizada… a estrutura física, o caráter e a mentalidade humana estão sendo manipuladas e dominadas pelas máquinas, nossos instintos mais profundos são domesticados pelas propagandas na televisão, no rádio, na internet, nos jornais, nas escolas, nos empregos e nas universidades. O progresso mata, adoece e deixa tudo artificial e mecânico.”
E falando em tecnologia que adoece…
A turma do “a tecnologia está nos deixando doentes”
Green Bank, na Virgínia, é conhecida como a cidade sem Wi-Fi, uma “Área de Quietude Nacional” instituída pelo governo e livre de quaisquer ondas eletromagnéticas; o motivo é a presença de um grande telescópio que precisa de “silêncio atmosférico absoluto” para funcionar.
A cidade se tornou um refúgio para aqueles que sofrem de hipersensibilidade magnética (EHS), uma série de sintomas como náusea, desorientação e dores de cabeça supostamente causadas pela exposição à sinais de telefone e internet. O distúrbio ainda não foi reconhecido pela medicina moderna.
Independente da veracidade das doenças causadas pela tecnologia moderna, o interesse em casas sustentáveis e uma vida sem tecnologia tem aumentado, e um número cada vez maior de pessoas está decidindo viver uma “austeridade voluntária”, também descrita como “uma visão cética da tecnologia e da ciência, que rejeita os aspectos que, no fim das contas, trazem mais prejuízos que benefícios.”
A turma do protesto
Protestos contra políticas locais, gentrificação e custo de vida dominam as ruas de São Francisco; as manifestações tem como alvo gigantes do ramo de tecnologia, mais especificamente Kevin Rose, sócio do Google, criador do Digg e herói entre os fãs de tecnologia.
Favorecendo a manifestação física em detrimento dos protestos digitais, o grupo ativista conhecido como Counterforce tem cercado ônibus fretados por funcionários dessas empresas, quebrado janelas, protestado na frente de casas de executivos do Google e vomitado em ônibus exclusivos para funcionários da Yahoo.
A cidade também foi palco de alguns ataques direcionados a novos tipos de tecnologia, como drones e usuários do Google Glass, o que reflete a preocupação do público com a invasão de privacidade e vigilância estatal.
Mas será que algum desses grupos é realmente “ludita”?
Atualmente, categorizar cada opinião desfavorável sobre a evolução tecnológica é um exercício inútil e totalmente sem propósito. Os neoluditas de hoje em dia enfrentam desafios muito maiores do que teares: a “sociedade tecno-industrial” mencionada no manifesto do Unabomber se tornou uma realidade, e resistir à tecnologia é resistir à própria sociedade.
“Não sei se temos um movimento realmente ludista hoje em dia”, disse o acadêmcio Kirkpatrick Sale em uma entrevista para a Forbes no ano passado.
Sale ganhou visibilidade há quase 20 anos atrás, quando destruiu computadores no palco de várias conferências e fez uma aposta pública com Kevin Kelly, fundador da Wired: em 2020 o mundo enfrentaria “um colapso econômico global, guerras entre ricos e pobres e desastres ambientais significativos.”
“Havia neoluditas nos anos 90 — e eu era um deles — que alertavam o público acerca dos perigos do uso obsessivo de computadores em todas as transações e interações”, disse Sale. “E esse movimento desapareceu quando os computadores se tornaram universais.”
Ele pode estar certo: imaginar a vida sem tecnologia é tão difícil quanto questionar os termos e condições de uso de cada aplicativo, aparelho e rede social que aceitamos sem pestanejar. Enquanto os governos tentarem nos monitorar e censurar através de apps e aparelhos, o aviso ludita vindo do cineasta Godfrey Reggio continuará parecendo bem razoável: “a tecnologia não é neutra”. E disso nós podemos ter certeza.

Fonte: ELTLATOL — Critica viva contra el sistema tecnoindustrial
Individualidades tendiendo a lo salvaje

1 de mai de 2015

A Anarcopédia (em português)

Uma boa fonte de referências que ainda não tinha aparecido aqui é a Anarcopédia.
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/f9/Five_Pointed_Star_Solid.svg/150px-Five_Pointed_Star_Solid.svg.png

Lá também podemos encontrar definições wiki anarquistas para alguns dos temas de interesse deste blog...


Etc, etc, etc...

17 de abr de 2015

Josephine Witt, ativista freelance...


Nesse 15 de abril a jovem alemã Josephine Witt, que já esteve ligada ao FEMEN e agora se autodeclara uma ativista freelance, “atacou” Mario Draghi, o presidente do Banco Central Europeu, com... confetes e panfletos!





























 
Os panfletos diziam que “somos donos das nossas vidas”, que não somos como “fichas no jogo de apostas do BCE, para jogar, para vender, para sermos devastados”. Valeu!!

25 de fev de 2015

Que as Ideias Voltem a Ser Perigosas

E-zine que pretende compartilhar o que foi vivido nos protestos em favor da livre mobilidade de 2012 em Recife (PE)...
...e também propor novas ideias pra as lutas que vierem...

2 de fev de 2015

Futuro Primitivo - letra e música de RuptürA


Tempos de mudanças anunciam
A chegada da aurora
E as ruínas desse mundo
Dão início a nova era de caos!
De caos!

A verdade esfacelando, todas as mentiras
E a gloriosa liberdade, destroçando os pilares da civilização

O ruir da civilização
Deu início a uma nova era
Onde a natureza triunfará
Na batalha final!

Na batalha fina!

A Sociedade Industrial e Seu Futuro - letra e música de RuptürA


Eis uma infame criatura chamada sociedade industrial capitalista
Inimiga do planeta segue repugnante a criatura do Estado
Alterando, acinzentando, esfacelando a face da terra
Defecando prisões de concreto para suas pulgas.

Assim anda a Humanidade
No vazio, no nada
Estagnada em uma civilização ridícula
Alienada
Se afundando em meio ao consumismo
Desfazendo tudo em concreto
Convertendo a natureza em lixo.

Ovelhas organizadas
Para serem exploradas
Elegem seus pastores
Para então devorá-las.

E seguem rindo ao abate!
E seguem rindo ao abate!
E seguem rindo ao abate!
E seguem rindo ao abate!

28 de jan de 2015

Anarquismo Verde ou Eco-Anarquismo...

O Anarquismo Verde, ou Eco-Anarquismo, é uma corrente anarquista que defende, como qualquer outra corrente anarquista, um movimento contra a hierarquia e qualquer forma de autoridade social, mas que parte de um ponto de vista centrado na natureza e na sua relação com ela. A maior parte dos apologistas do anarquismo verde defendem uma perspectiva de ecologia social, apontando para uma realidade humana sem hierarquia como tendo uma origem natural e biológica. O seu discurso distingue-se normalmente das outras correntes pela sua crítica à tecnologia, produto da lógica de domesticação da sociedade patriarcal, como sendo social e politicamente parcial.
O anarquismo verde defende assim uma relação estreita do homem com a natureza, em alternativa à economia da produção em massa onde ele desempenha uma pequena tarefa, reduzido ao trabalho desumano, na gigante máquina industrial, também referida como a megamáquina.

O texto completo, que é do blog Anarquista.Net, tá lá em:

Anarquismo Verde

25 de jan de 2015

O Papagaio que Pedia Liberdade

("Emprestado" lá do blog Gente Chimarrona...)

O Papagaio que Pedia Liberdade

Esta é a história de um papagaio muito contraditório. Havia já uns tantos anos que esse papagaio vivia em uma gaiola muito cômoda, que o seu proprietário, um tranquilo ancião ao qual o animal fazia companhia, mantinha limpa e com a água e a comida necessárias.
   Certo dia, o ancião convidou um amigo seu à sua casa, para desfrutar de um saboroso chá do Sri Lanka.
   Os dois homens se puseram no salão, sentados bem perto de uma janela, ao lado da qual se encontrava o papagaio em sua gaiola. Logo, quando estavam os dois homens bem acomodados, a tomar o chá, o papagaio começou a berrar, insistentemente:
-- Liberdade, liberdade, liberdade!
   Não parava de pedir pela liberdade... Durante todo o tempo em que o convidado esteve na casa, o animal não deixou de reclamar por liberdade de uma maneira angustiante. Tão angustiante era o seu pedido que o convidado sentiu-se apiedado, e nem mesmo pode terminar de saborear comodamente a sua xícara de chá, decidindo por encerrar a sua visita. Estava ele já saindo porta afora, porém continuava ouvindo os veementes gritos do papagaio:
-- Liberdade, liberdade, liberdade!
   Dois dias se passaram. Aquele que fora o convidado não podia deixar de sentir compaixão pelo papagaio. Mas era tanto o quanto o perturbava o estado daquele pobre animal, que decidiu então que seria necessário pô-lo em liberdade. E ele tramou um plano. Sabia quando o ancião deixava sua casa para ir às compras -- ele ia então se aproveitar dessa ausência e libertar o pobre papagaio de sua triste gaiola.
   E assim o fez. Um dia depois, na hora adequada, o tal convidado pôs-se por perto da casa do ancião, e, quando o viu sair, correu até sua casa, abriu a porta com uma gazua e entrou no salão -- onde o papagaio continuava berrando:
-- Liberdade, liberdade, liberdade!
   Isso partia o coração daquele que fora o convidado. Quem não sentiria pena do animalzinho? De pronto, ele se aproximou da gaiola e abriu a sua portinhola. Então o papagaio, apavorado, pulou para o outro lado da gaiola e, agarrando as barras com seu bico e unhas, bem se recusou a dela sair.
   O convidado foi se afastando, confuso e apiedado. Apesar de ter a portinhola aberta, o papagaio permanecia no fundo da gaiola, já se aquietando; de quando em vez, porém, continuava resmungando:
-- Liberdade, liberdade, liberdade...

Assim como esse papagaio, são muitos os seres humanos que dizem querer a liberdade -- os quais, todavia, acostumaram-se de tal maneira à sua gaiola que, na realidade, têm medo de abandoná-la...


Conto de origem desconhecida
(Em uma versão das Edições Natura naturans)